segunda-feira, 24 de março de 2008

Raça Humana


Raça Humana
Prof. Saulo Rodrigo Bastos Velasco

Sociedade Humana
Ao recorrermos à arqueologia, à genética e à linguística resgatamos a história dos últimos cem mil anos da evolução humana.

Essas três disciplinas juntas estão gerando novos dados e novas percepções. Podemos esperar que todas convergirão em uma teoria comum.
A Antropologia Cultural, a demografia, a economia, a ecologia, a sociologia estão se unindo para o esforço de unificar a história da humanidade.
Novas pesquisas nas ciências humanas e biológicas mudam o conceito de raça e mostram os estragos que o racismo faz na sociedade. Finalmente os cientistas estão prontos para responder algumas das perguntas mais incômodas a respeito de nós mesmos.

A nossa Raça
Poucas coisas mudaram nos últimos 100 mil anos. Naquela época, os primeiros seres humanos surgiam na África e começaram a se espalhar por outros continentes. Eles eram praticamente idênticos aos mais de 6 bilhões de pessoas que habitam hoje o planeta.
De lá para cá, os únicos retoques que a nossa espécie sofreu foram pequenas adaptações aos diferentes ambientes- mudanças exteriores para lidar melhor com lugares mais frios, secos ou com ventos mais fortes.
O lado triste dessa incrível capacidade da adaptação é que as diferenças físicas foram usadas para avaliar pessoas à primeira vista e atribuir-lhes qualidades e defeitos. Milhões foram escravizados, mortos ou discriminados por causa da aparência física.
Porque só agora os cientistas começaram a entender as diferenças entre os seres humanos?
As primeiras tentativas científicas de analisar as “raças humanas” levaram quase sempre à conclusão de que algumas eram mais inteligentes e criativas – ou seja, superiores – às outras.
O resultado foram as tentativas de criar uma “raça pura” e as ideologias que levaram a genocídios.“As tragédias geradas por essas teorias fizeram a ciência aceitar que as raças não tinham nada de biológico e que eram apenas um produto da sociedade. O que vemos agora é a tendência de volta à Biologia”, diz o antropólogo João Baptista Borges Pereira, da USP.
O RacismoAs ciências humanas avaliam o racismo como algo prejudicial à convivência dos povos. Nesse ponto, o Brasil evoluiu muito nos últimos anos em políticas de combate à discriminação racial, mas ainda está longe de pagar a dívida com a população negra que foi escravizada durante 4 séculos em nosso país. O problema é complexo, mas podemos lutar contra. Só que, antes é preciso saber como tudo começou.

Como nos tornamos diferentes?
O ser humano não possui cabelo por todo o corpo:
A adaptação provavelmente surgiu por volta de 1,6 milhões de anos atrás para esfriar o corpo de alguns dos nossos primeiros ancestrais, que começavam a se tornar mais ativos e fazer longas caminhadas.
Uma mudança levou a outra: células que produziam melanina, antes restritas a algumas partes descobertas, se espalharam por toda a epiderme.
Além de tornar a pele escura, a melanina absorve os raios ultravioletas do Sol e faz com que percam energia.
Enquanto os humanos modernos estavam restritos à África, a melanina funcionava bem para todos. Eles eram um grupo bastante homogêneo, porque por motivos desconhecidos, os primeiros humanos estiveram perto da extinção há cerca de 200 mil anos, com talvez não mais de 20 mil pessoas.
Posteriormente, a decoberta de novas ferramentas e o crescimento da população tornou a África pequena demais para eles e, cerca de 100 mil anos atrás, os homens modernos chegaram à Asia.
De lá se espalharam para a Oceania, depois para a Europa e, há pelos menos 15 mil anos, á América.
Nas regiões menos ensolaradas,a pele negra começou a bloquear demais os raios ultravioletas. Esse tipo de radiação é nocivo em quase todos os aspectos, mas tem um papel essencial no organismo: iniciar a formação na pele de vitamina D, necessária para o desenvolvimento do esqueleto.
A tendência então foi que as populações migraram para regiões menos ensolaradas desenvolvessem pele mais clara para aumentar a absorção de raios ultravioleta. Em regiões intermediários, o truque evolutivo foi bronzeamento, uma camada temporária de melanina para proteger o folato em épocas de sol e produzir vitamina D quando ele não fosse tão forte. Ou seja, de acordo com os novos estudos, a cor da pele é apenas uma forma de regular nutrientes.
Ao se espalhar pelo mundo os seres humanos tiveram que lidar com todo o tipo de ambiente e o principal elemento a se adaptar aos extremos de temperatura, umidade, iluminação e ventos do planeta foi a aparência.
Um exemplo é o tamanho do corpo: em regiões quentes é vantajoso ser baixo como os pigmeus ou alongado como os quenianos, com a superfície do corpo grande quando comparada ao volume, o que facilita a evaporação do suor.
O cabelo encarapinhado ajuda a reter o suor no couro cabeludo e a resfriá-lo. O oposto ocorre em regiões frias como a Sibéria. O corpo e a cabeça do mongóis, tendem a ser arrendodados para guardar calor, o nariz pequeno para não congelar, com narinas estreitas para aquecer o ar que chegam aos pulmões, e os olhos, alongados protegidos do vento por dobras de pele.

Existem Raças Humanas?
Em 1758, o botânico sueco Carolus Linaues, deu a humanidade o nome científico de Homo sapiens e a dividiu em quatro subespécies: os vermelhos americanos, “geniosos, despreocupados e livres”; os amarelos asiáticos, “severos e ambiciosos”; os negros africanos, “ardilosos e irrefletidos”, e os brancos europeus, evidentemente, “ativos, inteligentes e engenhosos”.

Estava aberta a discussão sobre a existência de raças humanas e o valor de cada uma.
No entanto, essas características nunca foram comprovadas e a principal consequência desse tipo de idéia foram as câmaras de gás nazistas, o que levou os cientistas do século 20 a acreditar que todas as diferenças entre humanos estavam na cultura.

Na verdade a diferença genética entre dois chimpanzés de uma mesma colina na África pode ser maior que o dobro da existente entre os 6 bilhões de humanos do planeta.
Uma equipe de sete pesquisadores dos Estados Unidos, França e Rússia comparou 377 partes do DNA de 1056 pessoas de 52 populações de todos os continentes. O placar final: entre 93% e 95% da diferença genética entre os humanos é encontrada em indíviduos de um mesmo grupo e a diversidade entre as populações é responsável por 3% a 5%.
Ou seja, dependendo do caso, o genoma de um africano pode ter mais semelhança com um de um norueguês do que com alguém de sua cidade.
O estudo também mostrou que não existem genes exclusivos de uma população, nem grupos em que todos os membros tenham a mesma variação genética.

Qual a origem do Racismo?
O preconceito é tão antigo quanto a humanidade, mas o racismo parece não ter mais de 500 anos. “Antes disso, a discriminação era feita em relação à cultura e ao diferente”, diz o antrológo Kabengele Munanga.
Os gregos chamavam de “bárbaro” qualquer pessoa que não falasse sua língua, mas quem a aprendesse não teria complicações.
O problema começa a mudar no final do século xv, quando a Inquisição espanhola obriga os judeus a se converterem ao catolicismo. Muitos desses cristãos-novos continuam a praticar os seus ritos, o que leva os católicos a acreditar que havia algo no sangue judeu que impedia a conversão. A solução era evitar a miscigenação para que esse sangue não se espalhasse pela população.

Na mesma época, os europeus chegam à Africa e à América e encontram um tipo de ser humano completamente diferente do que eles conheciam. “Até então, a humanidade era a Europa. O conceito de branco não existia antes de eles conhecerem o negro”, diz Kabengele.
A partir do século 18 e principalmente no século 19, as explicações bíblicas dão lugar a argumentos científicos. Os pesquisadores associavam os traços físicos da cada “raça” atributos morais para tentar eliminar características indesejáveis. E defendiam que haviam “raças” superiores a outras.

O Brasil é Racista?
Muito, mas demoramos para perceber.O mito da Democracia Racial.A questão do Índio – Incorporação.Conforme Gilberto Freyre – década de 1930, não havia distincões rígidas entre brancos e negros. E sim a discriminação era feita aos pobres.
O mito começou a cair a partir do final da década de 1960, quando se descobriu que o Brasil não só tinha preconceito em relação aos pobres – o que em si já é terrível – como a discriminação era especialmente dirigida a negros, “pardos” e índios.

Brasil Dividido: Negros BrancosPopulação % 46 54Renda Percapita 205 reais 482 reaisTaxa de Analfabetismo 18% 8%Média de anos de Estudo 4,7 6,9
Probabilidade de ser: Negros Brancos... Ser pobre 48% 22%
... Ser Desempregado 7% 6%
... Não ter Carteira assinada 17% 12%
... Ser empregador 3% 7%

Qual a solução????
Ações afirmativas.Questão do ensino.Punição.Conscientização social.